Natal é capital do Nordeste com maior percentual de adultos homossexuais e bissexuais, mostra pesquisa do IBGE

Natal é capital do Nordeste com maior percentual de adultos homossexuais e bissexuais, mostra pesquisa do IBGE
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Natal (RN) é a capital do Nordeste com o maior percentual de adultos que se declararam homossexuais ou bissexuais ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): 4%. Em todo o Brasil, o índice só é inferior a Porto Alegre (RS), que tem 5,1%. Macapá (AP) aparece na terceira colocação, com 3,9%.

Os dados são de 2019 e foram divulgados nesta quarta-feira (25) com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), em uma investigação inédita sobre a orientação sexual da população adulta, maior de 18 anos.

Além dos 4% autodeclarados na capital potiguar, outros 2,9% se recusaram a responder ou disseram não saber, enquanto 93% declarou heterossexualidade.

No Rio Grande do Norte, 1,8% da população adulta seria homossexual ou bissexual. O percentual ultrapassa a média da região Nordeste, que foi de 1,5%. Assim, 93,8% dos potiguares se reconheceriam como heterossexuais e outros 4,4% não sabem ou não quiseram responder.

No Brasil, cerca de 2,9 milhões de pessoas se declararam homossexuais ou bissexuais – o que correspondia a 1,8% da população adulta. Já 1,7 milhão não sabia sua orientação sexual e 3,6 milhões não quiseram responder.

Em 2019, havia no país 159,2 milhões de pessoas de 18 anos ou mais, das quais 53,2% eram mulheres e 46,8% eram homens. Desse total, 94,8% se declararam heterossexuais; 1,2% homossexuais; 0,7% bissexuais; 1,1% não sabiam sua orientação sexual; 2,3% não quiseram responder; e 0,1% declararam outra orientação sexual, como assexual e pansexual, por exemplo.

Limitações da pesquisa

A pesquisa é considerada experimental. O IBGE alerta que por ser uma informação sensível e de cunho pessoal, além de gerar desconfiança em relação ao uso do dado e receio do estigma e discriminação, conforme apontado por relatórios internacionais, está sujeita a subnotificação.

“Os resultados obtidos demandam algumas considerações e cuidados relativamente à sua análise devido à natureza sensível do tema e aos desafios e limitações envolvidos na sua captação, os quais serão explicitados ao longo desta publicação”, indica o diretor de pesquisas do IBGE, Cimar Azeredo Pereira, na apresentação dos resultados.

O trabalho lembra que o questionário é aplicado diretamente com um morador selecionado. Isso significa que em casos em que a sexualidade de alguém não é aceita pela família, a informação pode ser omitida.

Outras limitações e potencialidades são apontadas. Por exemplo: “A pergunta sobre a orientação sexual, captada segundo a autoidentificação, apresenta discordâncias em relação a outras dimensões, como atração ou comportamento sexual. Há pessoas que se sentem atraídas por outras do mesmo sexo, ou que ainda praticam sexo com pessoas do mesmo sexo, mas que não se identificam como homossexuais ou bissexuais”.

O relatório também detalha que a recomendação foi de oferecer à pessoa informante que realizasse, pessoalmente, o preenchimento de alguns módulos relacionados a temas sensíveis, incluindo a pergunta sobre a orientação sexual. Apesar disso, na maior parte dos casos, o preenchimento foi realizado pelo(a) entrevistador(a).

“Tal fato implica em uma possibilidade maior de a pessoa entrevistada fornecer uma resposta que ela considere mais bem aceita socialmente, resultando em um viés de resposta”, indica o estudo.
Com base no trabalho realizado, as equipes perceberam que termos envolvidos, como “orientação sexual” e “heterossexual”, podem gerar dificuldade de entendimento por parte da população, especialmente aquela com menor escolaridade. Da mesma forma, o uso dos termos “gay” e “lésbica” em investigações futuras, por exemplo, em vez do termo “homossexual”, poderia resultar em um melhor entendimento.

Também foi constatado um maior percentual das opções “recusou-se a responder” e “não sabe” entre as pessoas com nível de instrução até o ensino médio incompleto, o que poderia indicar uma dificuldade maior de entendimento desse contingente sobre ao tema investigado.

O relatório também menciona que o estigma social e o medo da discriminação e da violência geram receio de a pessoa entrevistada se autoidentificar como tal e informá-lo, verbalmente, para outra pessoa, sobretudo em cidades pequenas.

Também foi ressaltado que a investigação realizada pela PNS 2019 visou apenas a captação da orientação sexual das pessoas de 18 anos ou mais de idade, não havendo, naquele momento, coleta a respeito da identidade de gênero (travestis, transexuais).

Com informações da Agência Saiba Mais

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