Paulo Freire receberá título póstumo de Cidadão Natalense

Paulo Freire receberá título póstumo de Cidadão Natalense
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Em reconhecimento à importância da obra do educador Paulo Freire, a Comissão de Educação da Câmara Municipal de Natal aprovou, nesta terça-feira (17), uma homenagem, post mortem, alusiva ao centenário do escritor, que ocorre em 19 de setembro de 2021.

A homenagem foi proposta pelo Pedro Gorki (PCdoB). O patrono da Educação brasileira é natural de Recife,e iniciou as experiências do seu método pedagógico em Angicos, no Rio Grande do Norte, em 1963, onde 300 trabalhadores rurais foram alfabetizados em 45 dias. No ano seguinte, Paulo Freire foi convidado pelo Presidente João Goulart e pelo Ministro da Educação, Paulo de Tarso Santos, para repensar a alfabetização de adultos em âmbito nacional.

Desde a adolescência Freire se engajou na formação de jovens e adultos trabalhadores. Formou-se em Direito, mas não exerceu a profissão, preferindo dedicar-se a projetos de alfabetização.

Nos anos 50, quando ainda se pensava na educação de adultos como uma pura reposição dos conteúdos transmitidos a crianças e jovens, Paulo Freire propunha uma pedagogia específica, associando estudo, experiência vivida, trabalho, pedagogia e política.

Em 1964, estava prevista a instalação de 20 mil círculos de cultura para 2 milhões de analfabetos. O golpe militar, no entanto, interrompeu os trabalhos e reprimiu toda a mobilização já conquistada.


“A partir dessa sua prática nos círculos de cultura, Paulo Freire criou não apenas um método, mas uma proposta pedagógica que o tornaria conhecido no mundo inteiro, fundada no princípio de que o processo educacional deve partir da realidade que cerca o educando, com o objetivo de transformá-la”, ressalta o vereador na justificativa do projeto, destacando que os elementos fundamentais da filosofia educacional de Paulo Freire são “a consciência e o diálogo”.

O texto de apresentação da homenagem lembra que em Natal o método de Paulo Freire foi utilizado pelo único prefeito progressista da história da cidade, Djalma Maranhão, primeiro a ser eleito pelo voto direto, em 1960, deposto no golpe de 64. O gestor criou a primeira campanha de alfabetização em massa da capital potiguar, conhecida como “De pé no chão também se aprende a ler”.

A campanha levou educação a comunidades pobres em acampamentos que eram erguidos em madeira, barro e palha.

O projeto de alfabetização de Djalma Maranhão foi considerado “subversivo” pelos generais, o que o levou a ser preso e expulso do país. Ele ficou exilado no Uruguai, onde, dizem, morreu de saudade. A ideia inovadora permitiu que 34 mil estudantes fossem alfabetizados. Também foram criados centros de formação para qualificação de monitores, orientadores e supervisores para atuação no projeto educacional.

Fonte: Saiba Mais RN

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