Casamento de ex-presidente do Brasil terá vestido de noiva e lembrancinhas com bordados do Seridó potiguar

Casamento de ex-presidente do Brasil terá vestido de noiva e lembrancinhas com bordados do Seridó potiguar
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A socióloga Rosângela da Silva, conhecida por todo o Brasil como Janja, vai subir ao altar com o ex-presidente Lula vestindo bordados seridoenses de Timbaúba do Batista, Rio Grande do Norte. O casamento está marcado para o dia 18 de maio, em São Paulo.

Com autorização da noiva, o detalhe foi revelado pela estilista Helô Rocha, que assina o modelo longo feito de organza, tecido leve à base de seda, na cor off white.

As bordadeiras Alcilene, Acileide, Kena, Djeane e Aline são algumas das responsáveis pelo maior segredo do casamento do ano, o vestido, e também pelas lembrancinhas que serão entregues aos convidados. Até a cerimônia, ninguém vai dar mais detalhes do trabalho que durou cerca de um mês e meio.

Em entrevista ao Universa/Uol, Helô Rocha contou que a família materna é da região e sempre teve parcerias com as mulheres que trabalham misturando técnicas: de linha, com máquina de pedal, ponto cheio, Richelieu [que tem efeito semelhante ao de uma renda] e sombreado.

“Quando conversei com a Janja, não vi outro caminho a não ser trabalhar com essas bordadeiras. Acho que tinha que ser um vestido brasileiro, com uma mão de obra especial e regional. Elas deram um toque especial”, revelou.

Segundo a designer, os bordados e riscos personalizados criam uma história dentro do vestido, que ela não quis adiantar para a reportagem Universa/Uol, nem mesmo a temática. “Isso a gente deixa como surpresa.”

Ela também informou que a roupa está na etapa final de produção e provas e receberá ainda outro tipo de bordado, com pontos de luz em cima do bordado de linha. Helô Rocha é conhecida por assinar vestidos para noivas famosas, tendo desenhado modelos usados por Ísis Valverde e Preta Gil, em 2018 e 2015, respectivamente.

Além da beleza

Os bordados do Seridó fazem parte da cultura do estado e têm grande relevância econômica para os doze municípios que compõem a região potiguar: Caicó, Timbaúba dos Batistas, São Fernando, Serra Negra do Norte, Acari, São João do Sabugi, Jardim do Seridó, Ipueira, Cruzeta, São José do Seridó, Jucurutu e Ouro Branco.

Numerosas bordadeiras fazem dessa prática seu sustento. De acordo com a secretaria de Cultura, Esporte, Lazer, Turismo, Desenvolvimento Econômico e Artesanato de Timbaúba dos Batistas, Salmira Torres, essa atividade é a principal fonte de renda do município, que tem aproximadamente 2.500 habitantes.

Foto: Vini Leão

“Até hoje é uma das atividades que incentiva a permanência das pessoas na comunidade e evita o êxodo rural. A gente vive em uma região seca, não tem adutoras e poços que resolvam o problema para a agricultura. O bordado sempre foi uma forma de fortalecimento pra que permanecessem no campo, porque colabora de maneira significativa com a renda familiar”, disse Salmira, lembrando que a Associação das Bordadeiras de Timbaúba é de 1984.

A organização, junto com a Cooperativa das Mãos Artesanais de Timbaúba dos Batistas, ocupa a Casa das Bordadeiras – um espaço amplo, usado para produção, cursos, eventos e venda dos produtos. Hoje a Associação conta com quase 50 mulheres, mas a estimativa é que haja cerca de 800 bordadeiras no pequeno território.

Foto: Cedida

A própria Salmira, apesar de não estar praticando, aprendeu a bordar aos 10 anos de idade. E não era a única menina a saber desenhar com as linhas. A tradição é passada através das gerações ali.

“Foi minha primeira fonte de renda. Sou apaixonada pelo bordado. Bordado é luz, revitaliza. Eu digo que eu não tenho idade, tenho vida. Timbaúba teve uma época que você passava e tinha máquina na calçada. Faz parte da vida das pessoas. A mulher senta na máquina, bota um arroz no fogo, senta na máquina de novo, depois faz outra coisa da casa”.

Fonte: Agência Saiba Mais

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